sexta-feira, 18 de agosto de 2017

É bom ter passado

É bom ter passado


Voltar às origens,
é voltar ao passado,
que nos construiu
com profundos caboucos,
para não desabarmos
com facilidade
neste mundo de vendavais
tão loucos!
É bom ter passado,
ter recordações
alegres ou tristes,
de vida ou morte,
mas, sem as quais,
seriamos seres amorfos,
perdidos num presente
sem norte!


Cinquenta anos em Rio Maior

Cinquenta anos em Rio Maior


Ai, se eu pudesse
o que sinto por ti dizer,
na maior folha do mundo
nunca iria caber!
É amor, é amizade
e por que não gratidão?
Por ti fui mimada,
foste segunda mãe
também neste mundo cão!
Aqui sonhei
e os sonhos realizei...
Fui professora,
fui mulher e mãe
e tanta amizade encontrei!
São cinquenta anos,
que passaram a correr!
E, como o tempo não perdoa,
também eu irei desaparecer...
Mas, nesta terra
por mim amada,
quero, já muito velhinha,
ficar sepultada
e, pelos amigos
com saudades, ser recordada!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Memórias do passado

Vale de Espinho - Anos 40-50-60


Os fornos comunitários


Naqueles tempos não havia padarias.
As mulheres amassavam a farinha em casa, tendiam e o pão era cozido nos fornos comunitários, (fornos de toda a gente). Era o forno do Senhor, o forno do Rossio e o forno da Ti Nazar´.
Cada pessoa deixava a "poia" (um pão) para pagar ao forneiro que tinha o trabalho e dava a lenha.
As crianças gostavam da "bica" (pão pequenino e baixinho, cheio de buraquinhos).
Era também nesses fornos, que se coziam os doces de toda a gente, as cavacas, os esquecidos e o "pão leve" (pão de ló), sobretudo nas festas ou casamentos.
Também pelos Santos se coziam os bolos de pão compridos, cobertos de azeite, que os padrinhos ofereciam aos afilhados.



A caminho da serra

A caminho da serra


Lá, naquela montanha,
que avisto ao longe,
gigantesca catedral
esculpida pelo cinzel divino,
adivinha-se
uma paz celestial...
E nessa catedral,
a tocar o firmamento,
eu queria entrar,
apenas uma vez,
para me dar conta afinal,
quão insignificante
é a minha pequenez!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A caminho do Alentejo

A caminho do Alentejo


Nesta planura infinita,
onde o céu é mais azul,
onde esvoaçam cegonhas
por todos os lados,
alegrando os ares
com seus bailados,
onde ondulam searas
ao sabor da brisa quente,
eu pressinto um silêncio
mudo e indolente...
E essa paz,
envolta naquela solidão,
que não faz doer,
porque se deseja,
eu queria para mim eternamente!...

domingo, 13 de agosto de 2017

O que é para mim a poesia

O que é para mim a poesia


A poesia para mim, 
é o diário de um adolescente
onde eu, sem medos, 
transcrevo os meus segredos,
para poderem ser lidos
e sentidos por muita gente...
São pedaços de alma
que, como um leque, 
se abrem lentamente,
mostrando o invisível, 
de quem é sensível 
e sente profundamente!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O rio Côa nos dias de hoje

O rio Côa nos dias de hoje


Nas suas margens juntam-se famílias inteiras, sobretudo no "querido mês de agosto", em que vêm os emigrantes de França e de outros países, matar as saudades da sua aldeia e dos sabores, quase exclusivos da sua terra.
Não pode faltar o cabrito assado, os doces de toda a gente, o queijo mole e os enchidos daquela região que só ali se fabricam.
Dão-se uns mergulhos no açude do freixal, quando a calor aperta e recordam-se os tempos antigos.
Se houver música, também se dança ou então fazem-se rodas e toda a gente canta.